Bolsonaro decide demitir ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Gilson Machado aceita convite para assumir o cargo

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O ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quarta-feira (9) Os dois se reuniram na tarde de hoje no Palácio do Planalto, ocasião em que foi anunciada a demissão.

O estopim da demissão foi uma mensagem de Álvaro Antônio no grupo de WhatsApp com os ministros dirigida ao ministro Luiz Eduardo Ramos, chefe da secretaria de governo, em que elenca suas ações em favor da candidatura de Bolsonaro e à frente da pasta.

Na mensagem, à qual a CNN Brasil teve acesso, Álvaro Antônio chama Ramos de “traíra” e diz que general esconde de Bolsonaro o “ALTÍSSIMO PREÇO (sic)” que o governo tem pago por “aprovações insignificantes” no Congresso.

“Não me admira o Sr Ministro Ramos ir ao PR pedir minha cabeça, a entrega do Ministério do Turismo ao Centrão para obter êxito na eleição da Câmara dos Deputados”, diz um trecho da mensagem. “Ministro Ramos, o Sr é exemplo de tudo que não quero me tornar na vida, quero chegar ao fim da minha jornada EXATAMENTE como meus pais me ensinaram, LEAL aos meus companheiros e não um traíra como o senhor”, conclui.

A demissão ainda não foi publicada no Diário Oficial. O nome mais cotado para substituir Álvaro Antônio é Gilson Machado, presidente da Embratur.

Novo nome

O presidente da Embratur, Gilson Machado, foi convidado pelo presidente Jair Bolsonaro e aceitou assumir o comando do Ministério do Turismo.

Amigo pessoal de Bolsonaro, o novo ministro é conhecido por acompanhar o presidente em viagens pelo Brasil e por ser figura constante nas “lives” presidenciais, em que costuma tocar sanfona. A previsão é que ele comande o ministério em um mandato “tampão”. Uma nova mudança deve ocorrer a partir de fevereiro, quando uma reforma ministerial está prevista.

Gilson Machado é aliado de Bolsonaro desde a campanha presidencial e participou da equipe de transição. Antes de ser nomeado presidente da agência de fomento ao turismo, atuava como secretário nacional de Ecoturismo e Cidadania Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente, onde também exerceu o cargo de secretário de Florestas.

No fim de junho, Machado, que é de Recife, ganhou destaque depois de tocar “Ave Maria” na sanfona durante uma transmissão ao vivo do presidente. A música foi uma homenagem às vítimas da Covid-19. Naquele dia, 25 de junho, o país registrava mais 55 mil mortes pelo novo coronavírus. Ele chegou a dar aulas do instrumento ao presidente.

O novo ministro do Turismo também participou da criação do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente e seus filhos tentam criar. Na noite de terça-feira (8), ele esteve no lançamento do Instituto Conservador-Liberal do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Machado estava em um evento do setor quando foi convocado para falar com o presidente na tarde desta quarta. Ele chegou ao Palácio do Planalto pouco antes das 15 horas e deixou o gabinete presidencial cerca de 45 minutos depois, sem dar declarações.