Cervejas paranaenses conquistam o mundo

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Cerveja. O que para uns é sinônimo de momentos de lazer com os amigos, para outros é trabalho duro, paixão e dedicação. O Paraná tem um grande número de microcervejarias e cervejarias artesanais espalhadas por diversas regiões do estado. A Procerva (Associação das Microcervejarias do Paraná conta) com 42 microcervejarias associadas, e muitas delas têm sua qualidade comprovada em concursos e premiações de alcance nacional e mundial.

A produção da cerveja artesanal é uma verdadeira arte, que envolve muito mais atenção e dedicação dos profissionais envolvidos. A cerveja artesanal foge das fórmulas das grandes marcas, e justamente por isso pode agregar ingredientes, aromas, processos e sabores diferenciados, capazes de conquistar outros tipos de paladar. Até mesmo garrafas e rótulos exclusivos tornam a experiência mais lúdica, rica e interessante.

Segundo Carlos Manuel, membro do Conselho de Gestão da Procerva, a produção cervejeira paranaense está entre as melhores do Brasil. “Sempre devemos levar em consideração o clima mais frio e outros fatores, mas é fato que o mestre cervejeiro paranaense é criativo, gosta de usar ingredientes locais e colocar um pouco da cultura paranaense nas receitas que produz”.

A pandemia chegou trazendo novos desafios, que foram superados com criatividade e dedicação. Um estudo realizado recentemente pela Procerva comprova que não faltou força de vontade por parte dos empresários, que criaram novas formas de atendimento para comercializarem seus produtos. “Muitos produtores vendiam apenas chope, e aproveitaram para se reinventar, envasar seus produtos e poderem comercializá-los”, conta Carlos.

Caminhos do Malte

A crise também não tirou de Guarapuava o título de maior produtora de malte cervejeiro do país. O município também é o maior produtor de cevada do estado: de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 60% da cevada colhida no Brasil são plantados no Paraná. Guarapuava, sozinha, é responsável por 40% de toda a produção nacional da matéria-prima. Não por acaso, a cidade é conhecida como a “Capital Paranaense da Cevada e do Malte”, e já pleiteia o título de “Capital Nacional da Cevada e do Malte”.

Segundo o Diretor da Secretaria de Turismo de Guarapuava, Marcio de Sequeira, o Caminhos do Malte nasceu deste potencial: “em meados de 2015, investigando as potencialidades da cidade para o turismo, conseguimos dados e informações que confirmaram ser o município de Guarapuava o maior produtor de cevada cervejeira do estado do Paraná e do malte cervejeiro a nível nacional. Este apelo começou a ser usado em 2017 com um projeto turístico chamado Caminhos do Malte. Há facilidade de obter na própria cidade um dos principais ingredientes da cerveja, o malte, então foi um processo natural que surgissem cervejeiros apaixonados dispostos a produzir receitas caseiras. Em curto prazo o número de microcervejarias artesanais passou de duas para nove, com suas receitas legalizadas no Mapa do Ministério da Agricultura”.

Marcio afirma que o Caminhos do Malte ajudou as microcervejarias locais a se profissionalizarem através da “concessão onerosa de espaço público e equipamento de microcervejaria para iniciantes se aperfeiçoarem e criarem suas próprias microcervejarias”. Eventos gastronômicos associando as cervejas artesanais a pratos culinários – como o Outono Gastronômico (2018) e o Inverno Gastronômico (2019) – ajudaram a movimentar a cidade e atrair público. “Uma rota turística também começou a ser realizada, levando pequenos grupos para conhecerem algumas cervejarias artesanais legalizadas, agregando um pouco da história da cidade, da cultura cervejeira e da gastronomia local”, conta Marcio.

Como 2020 foi um ano atípico para todos, o projeto Caminhos do Malte ajudou a divulgar as iniciativas que as microcervejarias adotaram por conta da pandemia, como entregas domiciliares, pontos de coleta e o envase das cervejas em garrafas growler com capacidade de 500 ml até 2 litros. As empresas também passaram a pasteurizar cervejas engarrafadas em vidro, o que amplia o tempo de conservação do produto.

Para o futuro, Marcio está otimista: “as expectativas dentro do projeto Caminhos do Malte são animadoras e algumas inovações surgidas durante a pandemia permanecerão de maneira definitiva, como a criação de inúmeros aplicativos digitais para celular e redes sociais, que ajudaram a manter a produção e venda e serviços de drive-thru e delivery”. As cervejarias de Guarapuava já estão retomando seus negócios com força total, e logo estarão participando de concursos e eventos que devem ajudar a cidade a alcançar o status de “Capital Nacional da Cerveja Artesanal”.

Reconhecimento Nacional

Por falar em prêmios, no último Concurso Brasileiro de Cervejas, a Irmandade Cervejaria Artesanal , de Guarapuava, se destacou na categoria Saison (um tipo de cerveja frutada altamente gaseificada). Segundo Heloise de Almeida Lima, uma das sócias da cervejaria, a conquista “fez (e faz) com que muitas pessoas tenham curiosidade em provar as cervejas que fazem parte do nosso tap e em conhecer o nosso espaço para ver onde a cerveja é produzida, provar da nossa gastronomia e beber direto da fonte”.

O momento de celebração acabou sendo interrompido pela pandemia, mas os sócios não tardaram a buscar soluções: “tivemos que nos adaptar. O delivery e a venda em growler pet estavam no nosso horizonte de negócios, porém antecipamos. Aproveitamos para criar receitas a partir dos nossos estoques e lançamos umas cinco diferentes neste período”, conta Heloise. Além disso, a cervejaria adotou estratégias de comunicação diferenciadas para estimular o comércio por meio de novos canais de vendas.

Outra cervejaria é a Ogre Beer, de São José dos Pinhais. Fundada em 2012, ela atua no segmento das “cervejarias ciganas”, que designa empresas que não possuem fábrica própria e alugam o espaço e a estrutura de outra cervejaria para produzir suas receitas originais.

O mesmo Carlos Manuel do Conselho da Procerva é um dos sócios da Ogre Beer e tem orgulho da Django Cigano, rótulo da mais premiada Belgian IPA do Brasil. Com rótulos divertidos e nomes inusitados, as cervejas da Ogre têm como objetivo “fugir do glamour das cervejas artesanais” e “trazer descontração”. A “Jacu do Mato” por exemplo, leva melado de cana e até pinhão em sua receita. De acordo com Carlos, “o consumidor paranaense é exigente, mas foi conquistado pelas cervejas regionais e aprendeu a valorizar a produção interna”.

Sucesso também em vendas

Outro exemplo nascido no Paraná é a franquia Mestre Cervejeiro, que iniciou suas atividades como um site de consultoria especializada, mas logo alçou voos mais altos e hoje é uma das maiores rede de lojas de cervejas artesanais do Brasil, com mais de 60 unidades espalhadas pelo país.

A rede comercializa mais de 3.500 rótulos nacionais e internacionais e busca disseminar não só a bebida, como a cultura cervejeira por meio de copos, taças, acessórios e presentes que combinam com o estilo de vida dos apreciadores da bebida. O fundador e diretor da rede, Daniel Wolff, é sommelier de cervejas, juiz internacional de concursos e um legítimo entusiasta deste universo: pelo aplicativo Telegram, ele mantém um canal chamado Descubra Novas Cervejas, com o objetivo de compartilhar dicas, opiniões, degustações e insights sobre cervejas artesanais, além de sugestões de harmonizações e outras experiências.

O Brasil atualmente é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, com cerca de 13,3 bilhões de litros produzidos anualmente. Ainda estamos atrás da China (48,9 bilhões de litros) e Estados Unidos (22,5 bilhões), mas se depender da “sede” dos empreendedores paranaenses, nossa produção só deve aumentar.

Cervejas do Paraná

Para dar mais visibilidade às marcas e produtos locais, a Secretaria de Estado do Planejamento e Projetos Estruturantes (SEPL) criou o Feito no Paraná, um programa que promove as empresas paranaenses, apresentando-as para o próprio consumidor local, que muitas vezes desconhece a variedade e a qualidade do que é feito aqui. Assim, o dinheiro fica no estado, e nossas indústrias seguem gerando emprego e renda para as famílias paranaenses.

O Coordenador de Integração Econômica da Secretaria do Planejamento, Marcelo Percicotti, acredita que o programa pode não só criar um novo hábito de consumo, mais consciente em relação ao que é produzido aqui, como também deve ajudar empresas e fornecedores a fecharem negócios entre si: “Guarapuava é uma grande fabricante de insumos para cervejas, mas você tem em Curitiba, Pinhais e vários outros munícipios um crescimento muito relevante das microcervejarias e cervejarias artesanais. Elas podem fazer negócios locais, adquirir matéria-prima local. Quem ganha com isso é o estado, o produtor e o consumidor”.

Então, da próxima vez que quiser se refrescar com uma cervejinha, fuja do óbvio: escolha um produto feito no Paraná. O site do programa traz mais informações tanto para empresas e comerciantes que querem fazer parte do programa, quanto para consumidores que querem prestigiar os negócios locais. Acesse aqui.

Fonte: G1