Entrevista com Miguel Fernando, novo secretário da Cultura de Maringá

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Miguel Fernando é Bacharel em Turismo e Hotelaria pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2008). Ele também tem especialização em História e Sociedade do Brasil pela Universidade Estadual de Maringá – UEM (2010) e Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Girona – Espanha (2017). Seus projetos locais incluem o ′Maringá Histórica′, site em que divulga pesquisas sobre a história da cidade e o norte do Paraná.

Na área de gestão, coordenou por seis anos o departamento de eventos da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), foi diretor executivo do Instituto Cultural Ingá (ICI), agência de incentivo e fomento à Cultura. Miguel Fernando também é membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais e da Comissão de Patrimônio Histórico de Maringá há seis anos.

Em entrevista à Rede de Turismo Regional, o novo secretário comenta sobre as prioridades que promoveriam o desenvolvimento do Turismo em Maringá e região e afirma que “a região precisa entender que as cidades não podem ser trabalhadas de maneira única, elas compõem um território”, diz.

Qual é a sua visão sobre o cenário Turismo x Cultura em Maringá?

A Cultura faz uma análise ampliada de todo processo da construção que fazemos em uma sociedade. O Turismo, de certa forma, está incorporado ao aspecto da gestão cultural. A aproximação do Turismo e Cultura, enquanto gestão pública, é de fundamental importância. Eu já disse isso em outras oportunidades e, inclusive, já escrevi sobre isso: não existe Turismo sem base cultural. Todas as cidades que sobrevivem, ou que tem um grande potencial econômico turístico, têm base na estrutura cultural. Até mesmo o Turismo de aventura ou ecoturismo, pois tudo está ancorado na Cultura.

O que fará para melhorar esse cenário?

Nós vamos estruturar um projeto, na gerência de patrimônio histórico, que vai dialogar com o Turismo: o City Tour Histórico. Um projeto piloto que ainda está em desenvolvimento e que levará o público às principais capelas históricas de Maringá, tentando finalizar em um ponto onde seja possível oferecer um almoço rural. É importante, para a evolução do Turismo, que o público maringaense conheça a história da cidade. Então, para que a gente possa receber turistas, é necessário priorizar o entendimento da população sobre a própria Maringá. O projeto será implantado nos próximos meses.

O que a região precisaria fazer para ampliar a visibilidade do Turismo Cultural?

A região precisa entender que as cidades não podem ser trabalhadas de maneira única, elas compõem um território. Eu gosto bastante do conceito europeu e americano de condado, que é uma categoria que entre municípios e estado. Temos a grande região metropolitana de Maringá e a região noroeste do Estado do Paraná que, por incrível que pareça, é a região que tem o maior número de municípios do território cultural subdividido pelo estado do Paraná, que são quase duzentos municípios.

Só que não há uma estratégia de trabalhar o Turismo territorial, envolvendo as culturas, as tradições e as artes. Por exemplo, nós temos a terra vermelha, então vamos trabalhar com o conceito de terra vermelha, que é um conceito cultural e não falar que Maringá ou Londrina são as cidades polo da terra vermelha. Temos o carneiro no buraco, o cachorro quente em Maringá, porque não criar uma rota gastronômica de pratos peculiares e típicos e pensar no contexto da região. Então, é realmente importante priorizar os agentes que organizam estrategicamente o plano regional do Turismo.

Seria apenas essa a solução?

É logico que a partir disso surgem outros desdobramentos, porque você precisa ter uma estrutura de recepção para que o público seja bem recepcionado na cidade. É importante ter um novo pensamento a ser introduzido nos pequenos municípios, e até mesmo Maringá entra nesse contexto. Novos horários de funcionamento são importantes para o comércio, porque o turista vai estar na cidade em horários diferentes do que os comerciais e tradicionais. Maringá é uma cidade que ainda, infelizmente, não está preparada para recepcionar, ela não tem o “visitors”. Precisamos trabalhar o “como recepcionar” e “como sermos receptivos de um ponto de vista proativo”, ou seja, montar estruturas de receptivos na cidade.

O Turismo será uma das suas preocupações à frente da secretaria de Cultura de Maringá?

Sem dúvida vai ser um tema a frente da secretaria de Cultura, que é pensar no Turismo cultural. Temos algumas ações previstas no plano municipal de Cultura que vamos começar a estruturar.