Guilherme Paulus vê retomada do turismo apoiada nos meios digitais

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Considerado o “pai do turismo de massa” no Brasil, o empresário Guilherme Paulus acredita que o mundo digital fará diferença no setor após a pandemia. Ele estima que quatro em cada dez negócios serão fechados remotamente.

Em conversa com o editor da IstoÉ Dinheiro Hugo Cilo, na live da Dinheiro nesta segunda-feira (13), Paulus se mostrou otimista. Tem certeza de que a retomada dos negócios no turismo já começou. “O turismo regional está funcionando muito bem.”

Para o empresário, o cenário dos negócios se dará de forma diferente do que funcionava antes da crise sanitária. “A partir de agora, 40% das pessoas fecharão seus próprios negócios à distância e o papel do agente de viagem será importantíssimo”, antecipa.
Paulus é fundador da CVC, maior operadora de viagens da América Latina e maior rede de varejo de turismo no País, com faturamento estimado em R$ 17 bilhões em 2019.

Entre as mudanças que estão por vir, o executivo cita a CVC, que tem somente 10% das operações de forma digital e que deverá sofrer mudanças profundas no que diz respeito à tecnologia.

Paulus é também presidente do conselho de administração do grupo GJP Hotels & Resort e sob seu comando estão mais de dez hotéis próprios no Brasil, além de outros negócios no setor, como a GJP Construtora e Incorporadora, responsável por condomínios de alto padrão e hotéis boutique, a exemplo do Castelo Saint Andrews, em Gramado, Rio Grande do Sul.

Ao certo, os últimos dias foram completamente diferentes de todos os outros em mais de 40 anos de trajetória profissional do empresário. A covid-19 fez com que as mais de 1,4 mil lojas fechassem as portas por tempo indeterminado. Aos 71 anos, Paulus destaca o cenário imprevisível com mais de 100 dias de isolamento e restrições para empresas. “Nunca vivenciei nada parecido com tudo o que aconteceu nesta pandemia, que foi uma lição para todos nós. A retomada do crescimento se dará pela comunicação.”

Formado em administração de empresas e conhecido por seu espírito empreendedor, Paulus diz que o segmento, que movimenta outros 52 setores da economia, não deve ficar parado dependendo do governo federal, que para ele agiu bem no enfrentamento à pandemia. “O turismo sempre se reinventou e agora não será diferente. O retorno será gradual.”

Para ele, a raiz do problema para o turismo decolar se resume na questão da cobrança dos tributos, seja das companhias aéreas, seja dos pequenos negócios. “A reforma tributária é mais do que necessária.” Ele critica que “o que mata o turismo é o imposto”.

Política

Membro do Conselho Nacional do Turismo, por indicação da Presidência da República, 1º vice-presidente do Conselho de Administração do São Paulo Convention & Visitors Bureau, vice-presidente de relações institucionais da Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV Nacional) e presidente do Conselho Deliberativo do Visit Iguassu, na entrevista à IstoÉ Dinheiro, ele revelou que já foi convidado para ser ministro do Turismo por duas vezes, durante as administrações petistas.

Por sua vez, o governo de Jair Bolsonaro também realizou um convite, mas para presidir a Embratur – Instituto Brasileiro de Turismo. Ele declinou. “Não pude aceitar”, revela, por causa dos inúmeros negócios em que está envolvido.