Rio Paraná vai ganhar trilha aquática

Uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Consórcio Intermunicipal para Conservação do Remanescente do Rio Paraná (Coripa) e a Prefeitura Municipal de Guaíra (PR) deu início à sinalização da Trilha Aquática do Rio Paraná. A primeira expedição foi realizada entre os dias 04 e 06 de novembro, partindo de Icaraíma, percorreu e sinalizou 35 km. A iniciativa contou ainda com o apoio dos municípios de Icaraíma (PR), Itaquiraí (MS) e Eldorado (MS).

A expedição contou com oito caiaqueiros voluntários. Eles partiram de Porto Camargo, em Icaraíma (PR) com destino à Guaíra (PR). No caminho, passaram por praias, paredões de arenito, canais estreitos e tranquilos e trechos agitados do largo canal do rio Paraná. Além dos 35 km, após a finalização, a ideia é que a trilha percorrerá todo o Parque Nacional de Ilha Grande (PR), atingindo a marca de 118 km.

Nas próximas etapas, o objetivo é alcançar a Área de Proteção Ambiental (APA) das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, em Rosana (SP) passando pelo Parque Estadual das Várzeas do Rio Invinhema. Com 250 km, a Trilha Aquática do Rio Paraná deve ser a maior do mundo, passando por comunidades ribeirinhas, casas de moradores das ilhas do rio Paraná, cidades lindeiras e pequenos portos ao longo do rio. A expectativa é que os locais se estruturem para receber os futuros aventureiros, prestando serviços de alimentação e hospedagem. “Com esta iniciativa, esperamos gerar emprego e renda para as comunidades locais e divulgar as unidades de conservação inseridas e vizinhas à APA”, disse o biólogo do Coripa e idealizador do projeto, Erick Caldas Xavier.

“Esta expedição deu para mostrar o que precisa ser feito, o que pode ser melhorado e o que já está pronto para tornar este projeto um grande indutor para o turismo no Parque Nacional de Ilha Grande, inclusive com turismo de base comunitária”, analisa a secretária municipal de Turismo de Guaíra, Camila Terron. Para ela, esta é uma oportunidade de fortalecer ainda mais o turismo de aventura, o ecoturismo e o turismo rural nas propriedades lindeiras ao parque. ODS relacionados O setor privado também participa do projeto. O empresário do ramo de ecoturismo Anderson Pachamama esteve na expedição e aprova a ideia. Fiquei muito satisfeito em participar da marcação inicial da trilha aquática. Esta trilha desperta um grande potencial natural desta região para o ecoturismo, para os moradores em torno do caminho e principalmente para a conservação da natureza. Estamos vivenciando um momento único de desenvolvimento de atividades não poluentes de interação com o meio ambiente: ciclismo, trekking, canoagem entre outras. A Rota dos Pioneiros abre um novo horizonte para a prática destes modelos de atividades”, opina Pachamama.

A Trilha Aquática faz parte da Rota dos Pioneiros e traz a história como um dos atrativos para aqueles que queiram aceitar o desafio de reviver a história dos povos indígenas, exploradores espanhóis, bandeirantes portugueses e jesuítas. O rio Paraná foi palco de batalhas, rota de acesso, perseguição e de grandes escapadas. Esta região pertenceu ao governo paraguaio e à Espanha até meados do século 16. Em 1554 foi fundada a Ciudade Real del Guayrá a primeira cidade espanhola e desde 1610 os missionários Jesuítas se utilizavam do Rio Paraná para navegação. A região do Guayrá chegou a contar com 17 reduções Jesuíticas abrigando mais de 200 mil índios guaranis, que conseguiram se opor à ocupação de seu território até 1820. Uma das maiores epopeias foi o Êxodo Guairenho, quando cerca de 12 mil indígenas e 700 embarcações viajaram rio abaixo pelo Paranapanema e, em seguida, pelo Paraná fugindo dos bandeirantes. O rio Paraná tem também registro de naufrágios das embarcações dos tenentes da Revolta Paulista de 24.

A Rota dos Pioneiros está inserida na Rede Nacional de Trilhas e Longo Curso, uma iniciativa importante para a conectividade de paisagens vegetadas, para a economia local e para a formação de novas gerações de conservacionistas. O objetivo desta rede é interligar unidades de conservação, paisagens e ecossistemas naturais, além de sensibilizar a sociedade para a importância do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc).

FONTE: ICMBIO em foco